February 2013 – Grupuge Pancreatite Autoimune: um desafio clínico
CASO CLÍNICO Homem de 59 anos de idade internado por quadro de dor epigástrica, prurido e icterícia com 15 dias de evolução. Estudo analítico: bilirrubina direta 15xN; fosfatase alcalina 3xN; Gama-GT 6xN; glicemia 2.5xN; amílase e lipase normais. A colangiopancreatografia por RMN revelou pâncreas de morfologia globosa com atraso difuso na captação do produto de contraste, perda da lobulação habitual e área nodular heterogénea na porção cefálica (Figura 1) Figura 1 A ecoendoscopia confirmou a heterogeneidade da região cefalopancreática com esboço de nódulo de 40mm (Figura 2). Figura 2 Efetuada citologia aspirativa (guiada por ecoendoscopia) cuja histologia revelou marcada infiltração linfoplasmocitária, fibrose estoriforme e flebite obliterativa sem evidência de células malignas. Serologia: pedida quantificação das subclasses de IgG constatando-se IgG4 7xN (Figuras 3a e 3b). Figuras 3a e 3b Foi assumido o diagnóstico de PAI e proposta corticoterapia que o doente recusou. Durante o internamento verificou-se normalização espontânea das enzimas de colestase e, 6 meses após o diagnóstico, o doente permanece assintomático e sem quaisquer alterações analíticas. CONSIDERAÇÕES TEÓRICAS A pancreatite autoimune (PAI) é a manifestação pancreática de uma doença sistémica rara, cujo diagnóstico assenta em critérios clínicos, serológicos, histológicos e imagiológicos. O principal diagnóstico diferencial é o adenocarcinoma pancreático, hipótese que terá de ser excluída uma vez que são patologias que acarretam prognósticos e terapêuticas completamente distintas. Neste caso, dados como o sexo, idade, sintomatologia, aparecimento de diabetes inaugural e imagiologia típica levantaram a suspeita de PAI confirmando-se o diagnóstico pelo aumento da IgG4 e […]
